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Só conseguimos encontrar nosso equilíbrio quando encontramos o nosso centro

Só é possível encontrar o nosso equilíbrio encontrando o nosso centro e só é possível chegar ao nosso centro (Self) se nos dispomos a nos conhecer mais profundamente, ou seja, conhecer o nosso inconsciente.

 

“Mas a experiência do inconsciente tem um efeito de isolamento, e há muitas pessoas que não podem suportá-lo. No entanto, estar a sós com o Self é a experiência humana mais elevada e decisiva,  visto que “deve-se estar sozinho, se se pretende descobrir o que sustenta a pessoa quando ela já não pode sustentar-se. Somente essa experiência pode dar-lhe um fundamento indestrutível.” (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025)

 

O processo de individuação que é o “caminho” para se chegar ao nosso centro, self, tem por essência a união dos contrários em nós. 

“É um processo de crescimento que se instala quando tomamos consciência da tensão entre os opostos em nossa própria integridade interior e que “deseja” nos obrigar a harmonizar e unir as forças opositoras do inconsciente a que nossa mente consciente se acha exposta com tanta constância.” (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025)

 

A individuação requer uma atitude da consciência (ego, personalidade) mediante a indicação ou direcionamento do inconsciente. É como se o inconsciente  fosse o velho mago conduzindo o consciente (herói) na jornada interior.

 

“O verdadeiro autoconhecimento está em saber do que se depende - o ego depende constantemente do inconsciente. Dependemos do inconsciente a cada segundo em que estamos funcionando… onde está a obrigação da personalidade do ego. Para que finalidade se foi criado: trata-se de tentar encontrar o significado da própria vida de segundo a segundo…”

(FRANZ, Marie-Louise Von. Alquimia e a imaginação ativa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)

 

Se não nos dispomos a tentar compreender a linguagem sutil da vida, ela terá que usar meios mais densos para nos mostrar o caminho, para nos ensinar o que precisamos aprender. É como um estudante que se faz regularmente seu dever de casa, ou seja, procura compreender seus sonhos, as sincronicidades, os sinais, com empenho e dedicação, quando chegar o momento da prova (mudança de patamar de consciência ou expansão da consciência) estará mais bem preparado e calmo para respondê-la.

 

“todos…deveriam prosseguir nesse ciclo com uma mente bem honesta. Então, lentamente, surgirão algumas centelhas. Dia após dia, elas surgirão vivas e ardentes na frente dos seus olhos mentais interiores, e aos poucos essas centelhas se aglutinarão irradiando uma luminosidade tal que, com o tempo, sempre se conseguirá saber do que se precisa e, dessa forma, se permanecerá ligado apenas àquela verdade interior por cujo intermédio se adquire a grande tranquilidade e grande quietude mental.”

(FRANZ, Marie-Louise Von. Alquimia e a imaginação ativa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)

 

Kairós - O momento interior correto

 

Outro ponto importante é que nunca estamos atrasados para nossa auto descoberta, para nos conhecermos profundamente. Para encararmos o desconhecido sobre nós mesmos.

 

O fato de sabermos, conhecermos, tomarmos consciência, nos leva a perceber mais aquele “algo” que antes desconhecíamos. É como se antes estivéssemos de certa forma cegos para determinadas situações, comportamentos, experiências… É como se só aos poucos fosse ficando mais nítido, mais perceptível e no entanto sempre estiveram ali, apenas o observador (nós) não percebemos por nossa incapacidade ou ignorância.

 

Por outro lado, é como se houvesse um “tempo certo” para descobrirmos algo. Como se até aquele momento não fosse possível ou permitido vermos, enxergarmos. Quem ou que permite ou torna possível esse “abrir de olhos”? Talvez seja o nosso self, o nosso guia interior, o velho mestre e sábio que tudo sabe.

 

…a unidade paradoxal do Self -, que pode nos levar a atingir um nível superior de consciência; a voz interior, delicada mas inflexível, que nos impulsiona na direção da individuação e não permite o autoengano. (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025)

 

Esse “tempo certo” pode ser entendido como: “Kairós, que significa momento magicamente favorável. É mais ou menos como o conceito chinês do Tao, que apenas se pode alcançar sentindo-o. Isso significa que se deve descobrir, por meio da meditação, qual o momento interno correto para a transformação interior.”

(FRANZ, Marie-Louise Von. Alquimia e a imaginação ativa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)


 

Referências:

 

FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025.

 

FRANZ, Marie-Louise Von. Alquimia e a imaginação ativa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.

 

JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.

“Qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar o inferno.” Carl Jung.jpg