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Experiências Simbólicas

Descobri que borboleta em grego tem o mesmo significado de alma ou psique.

Essa dupla significância é um dos motivos pelos quais a borboleta é um símbolo recorrente de imortalidade e da jornada da alma na mitologia grega. A palavra "psiquê" é a raiz da palavra "psicologia" e, na cultura grega, é o termo usado para designar a alma, o espírito, a essência da vida. 

 

Quando descobri isso, lembrei de uma experiência pessoal, na verdade, mais de uma ultimamente, com borboletas-azuis. 

Sempre que me sinto em um estado de conexão com a natureza, que para mim é a maior expressão do sagrado, eu vejo uma ou mais borboletas-azuis. 

 

Será que posso chamar isso de sincronicidade? Acho que posso, pois possui um significado especial para mim. É uma espécie de sinal de conexão com a Natureza, Universo, Deus…, o nome não importa tanto, mas sim a energia, na falta de uma palavra melhor que defina, o que, efetivamente, a meu ver, é indefinível ou indescritível. O fato é que as borboletas-azuis aparecem quando sinto que estou conectada a esse “algo” infinitamente maior do que eu. 

 

Marie-Louise von Franz (psicoterapeuta analítica, pesquisadora e escritora) diz que o inconsciente está de alguma forma ligado à matéria, caso contrário, não seria possível perceber as sincronicidades. No entanto, não é possível explicar essa ligação, só é possível percebê-la. Há inclusive a possibilidade e probabilidade de que a matéria e a psique sejam dois aspectos diferentes de uma só e mesma coisa, mas exploraremos esse assunto em outros textos…

 

A alma sempre está em busca da expressão da sua totalidade

 

Eu não estava totalmente equivocada quanto à minha percepção, e raramente estamos equivocados quando se trata de sentimento, que aqui abordo na concepção Junguiana da palavra, que retrata o valor emocional das experiências. 

 

Na perspectiva junguiana, o "sentimento" é uma função psíquica crucial que se refere à capacidade de avaliar e dar valor às experiências subjetivas. A função sentimento está ligada à escala de valores pessoais e à capacidade de sentir empatia e conexão com o mundo. 

 

O sentimento é uma das quatro funções psíquicas básicas, com o pensamento, a sensação e a intuição, que, segundo Jung, compõem a estrutura da personalidade. A função sentimento é fundamental para o desenvolvimento emocional, permitindo a compreensão e expressão das emoções, bem como a construção de relacionamentos interpessoais. 

 

É necessário integrar o sentimento consciente com o inconsciente, pois o sentimento inconsciente influencia a personalidade e a tomada de decisões. O processo de individuação, a busca pela integridade da personalidade, inclui a exploração e integração da função sentimento. Pois a alma sempre está em busca da expressão da sua totalidade.

 

A natureza pode ser portadora de símbolos do inconsciente

 

Jung diz que quando começamos a tomar consciência dos “objetos” inconscientes, estes começam a corresponder a objetos existentes no mundo exterior… os objetos ditos “reais” assumem uma característica mitológica e isto significa um enorme enriquecimento da vida.

 

A conexão entre a borboleta e a alma se manifesta no ciclo de vida da borboleta, que envolve uma transformação radical, desde a larva até a forma adulta, considerada um símbolo de renovação e imortalidade. 

 

A deusa Psique, na mitologia grega, é frequentemente representada como uma borboleta, o que reforça a ligação entre a borboleta e a alma. 

 

Embora a ligação entre a borboleta e a alma seja especialmente marcante na cultura grega, a borboleta também é um símbolo de transformação e renovação em diversas outras culturas e crenças.  Entre os astecas, por exemplo, a borboleta é um símbolo da alma ou do sopro vital.

 

As experiências simbólicas unem o interior e o exterior 

 

As experiências simbólicas são percebidas por sua significativa carga emocional, a numinosidade. Essas experiências unem a consciência, aquilo que é subjetivo (a imagem que enxergamos, o modo como percebemos e sentimos) ao que é inconsciente, ou seja, aquilo que é objetivo, aquilo que é e sempre foi no contínuo espaço/tempo.

 

É como se nestas experiências nos tornássemos mediadores entre dois mundos, o interior e o exterior. 

Passamos a perceber o inconsciente no que é “visível”. Porque o inconsciente precisa ser projetado em “algo” para ser percebido pela consciência. 

 

Tudo o que percebemos é uma “imagem” da psique. A imagem subjetiva + emoção formam o elo indispensável entre a entidade individual, consciência, e o objeto estranho, ou inconsciente. A emoção (numen) é a fonte principal de toda tomada de consciência. Não há transformação de escuridão em luz, nem de inércia em movimento, sem emoção.

 

Enfim, essa é uma das experiências simbólicas que tenho vivido. As borboletas-azuis, para mim, são símbolos da minha alma se comunicando comigo, uma espécie de “código secreto” entre mim e ela… é a confirmação de um diálogo com Deus… de uma conversa com a vida…

 

E aí? Como a sua alma conversa com você? Será que você está percebendo e compreendendo os sinais? Quais são as suas “borboletas-azuis” ? Convido você a fazer estas reflexões e a vivenciar suas próprias experiências simbólicas.


 

 

A ausência de pausas, introspecção e reverência a algo que está além da compreensão racional, faz o dias se empobrecerem.png