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O Conhecimento Absoluto do Inconsciente

O conhecimento absoluto do inconsciente pode ser percebido pelos sonhos, nas experiências oníricas podemos constatar que o inconsciente sabe coisas; conhece o passado e o futuro. Jung chamou esse conhecimento inconsciente de conhecimento absoluto. 


Um médium é uma pessoa que tem um relacionamento mais estreito - diríamos, um dom - por meio do qual se relaciona com o conhecimento absoluto do inconsciente e que, de um modo geral, tem um nível relativamente baixo de consciência. O conhecimento absoluto é como a luz de uma vela e, se a luz elétrica da consciência do ego estiver acesa, não podemos ver a tênue chama da vela.

 

Nos fenômenos de sincronicidade, surgem no campo de visão interior imagens que se relacionam analogicamente, isto é, do ponto de vista do significado, com eventos exteriores objetivos, mesmo quando não é possível demonstrar uma relação causal entre as duas classes de eventos. Isso pressupõe um significado a priori na própria natureza, que existe antes da consciência humana, um fator formal da natureza a que não se pode dar uma explicação causal, mas que, pelo contrário, é anterior a toda tentativa de explicação por parte da consciência humana. Esse fator formal de sentido recebeu de Jung o nome de “conhecimento absoluto”. Absoluto porque independe de nosso conhecimento consciente. É como se algo, em algum lugar, fosse “conhecido” sob a forma de imagens - mas não por nós. (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025.)

 

O comportamento “inteligente” dos organismos inferiores desprovidos de cérebro provavelmente tem vínculo com esse “conhecimento absoluto”; ele também parece ser independente de todo conhecimento mediado pelos órgãos dos sentidos e aponta para a existência de um significado auto subsistente na natureza. Essa forma de existência só pode ser transcendental, porque, como mostra o conhecimento do futuro ou de eventos especialmente distantes, está contida num espaço e num tempo psiquicamente relativos, quer dizer, num contínuo espaço-tempo irrepresentável. 

 

Enquanto a consciência está vinculada ao tempo, o Inconsciente parece ser atemporal

 

Jung pensa que as camadas mais profundas do inconsciente, o que significa especificamente as camadas do inconsciente coletivo na psique, são relativamente atemporais, isto é, fora do tempo e do espaço. Ao passo que a nossa mente consciente - o pensamento discursivo e todos os processos da consciência - está vinculada ao tempo. O conceito de tempo, seja qual for seu significado, certamente está vinculado ao fluxo de energia na consciência, porquanto os nossos processos conscientes se sucedem uns aos outros. (FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)

 

Por vezes em um sonho infantil, todo o destino de uma pessoa já está presente; o futuro está, por assim dizer, presente no inconsciente. Mas como experiência consciente, esse ser humano poderá levar mais de vinte, trinta ou sessenta anos para concretizá-lo; assim sendo, devemos admitir que certas constelações arquetípicas são relativamente atemporais.

 

Essas sugestões apontam para o fato de que no inconsciente não há sequência de “um após o outro”. Esse é o método a que nossa mente consciente está subordinada - através do tempo e do espaço - trata-se do único modo como nossa mente pode funcionar; mas de algum modo no inconsciente, espaço e tempo se tornam relativos ou, se não se dissipam, tornam-se ao menos muito flexíveis e deixam de ser válidos como em nossa consciência.

 

É como se houvesse uma ordem vinculada ao tempo, enquanto a outra, não: é eterna. E essas duas ordens interagindo, representassem a totalidade.

 

Os chineses tinham duas ideias ou aspectos do tempo, que são o tempo atemporal, ou eternidade, a eternidade imutável, e o tempo cíclico, que se sobrepõe ao primeiro. De acordo com essas ideias chinesas, vivemos normalmente com a nossa consciência no tempo cíclico; mas existe um tempo eterno subjacente, que por vezes interfere no outro.


 

Os fenômenos de sincronicidade são atos de criação no tempo

 

Em seu estudo sobre a sincronicidade, Jung  chegou à conclusão  de que eventos sincronísticos não são apenas acontecimentos irregulares e esporádicos, sem qualquer ordem.  No final do estudo, ele formula a hipótese de que se trata de fenômenos aleatórios do que ele chama de ordenação acausal. Em outras palavras, há tanto na realidade psíquica quanto na física, uma espécie de ordem ou ordenação atemporal, que se mantém sempre constante, e que os eventos sincronísticos se enquadram na área desses acontecimentos, dos quais são concretizações esporádicas singulares. (FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)

 

Há na natureza certo montante de ordenação acausal, certas ordens que as naturezas física e psíquica conservam, produzindo, dessa forma, mediante esses eventos constantes, uma ordem constante. Os eventos sincronísticos seriam manifestações dessa ordenação acausal; mas em contraste com os eventos regulares (que são completamente previsíveis), o evento sincronístico é único, esporádico e imprevisível.

 

Um evento sincronístico é uma história única e imprevisível, porque é sempre um ato criativo no tempo e, por conseguinte, não regular. Esses atos de criação ocorrem, por um lado, dentro do padrão de uma ordenação existente desde a eternidade, e por outro, segundo o padrão de uma ordenação que se repete esporadicamente.

 

O reconhecimento dessa ordenação nos afeta, porque nos transmite sentido e  significado, razão pela qual os fenômenos de sincronicidade sempre foram considerados, em épocas anteriores, como manifestações da divindade ou, na China, como um sinal do Tao, do princípio universal.


 

Referências:

 

FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025.

 

FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.

 

O inconsciente nos dá uma oportunidade, pelas comunicações e alusões metafóricas que oferece. É também capaz de comunicar-nos aquilo que, pela lógica, não podemos saber. Pensemos nos fenômenos de .png