A linguagem e as “pessoas” do inconsciente são os símbolos, e os meios de comunicação com este mundo são os sonhos.
Os símbolos são a manifestação dos arquétipos. É a forma como a mente consciente percebe, por meio de imagem, a energia dinâmica arquetípica. Exemplo de um símbolo é a imagem da cruz.
O mecanismo psicológico que transforma a energia arquetípica é o símbolo. A transformação da energia por meio do símbolo é um processo que vem se realizando desde os inícios da humanidade, e ainda continua.
Os homens do passado não pensavam nos seus símbolos. Viviam-nos, e eram inconscientemente estimulados pelo seu significado. Os símbolos têm vida. Atuam. Alcançam dimensões que o conhecimento racional não pode atingir. Transmitem intuições altamente estimulantes, prenunciadores de fenômenos ainda desconhecidos.
A visão simbólica faz pontes, sem o símbolo não se pode comunicar com o “eu” mais profundo. Por meio dos símbolos consciente e inconsciente se aproximam. No processo de individuação, a interpretação dos símbolos exerce um papel prático de muita importância, pois os símbolos representam tentativas naturais na reconciliação e união dos elementos antagônicos da psique.
Os símbolos apontam direções diferentes daquelas que percebemos com nossa mente consciente; e, portanto, relacionam-se com coisas inconscientes, ou apenas parcialmente conscientes. O símbolo, na concepção junguiana, é uma linguagem universal infinitamente rica, capaz de exprimir por meio de imagens muitas coisas que transcendem as problemáticas específicas dos indivíduos.
“Um símbolo não traz explicações: impulsiona para além de si mesmo na direção de um sentido ainda distante, inapreensível, obscuramente pressentido e que nenhuma palavra de língua falada poderia exprimir de maneira satisfatória.” (Jung).
A função dos símbolos
O homem moderno não entende quanto o seu “racionalismo” (que lhe destruiu a capacidade de reagir a ideias e símbolos numinosos) o deixou à mercê do “submundo” psíquico. Libertou-se das “superstições” (ou pelo menos pensa tê-lo feito), mas nesse processo perdeu seus valores espirituais em escala alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e, por isso, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação universais. Despojamos todas as coisas do seu mistério e da sua numinosidade; e nada mais é sagrado.
À medida que aumenta o conhecimento científico, diminui o grau de humanização do nosso mundo, O homem sente-se isolado no cosmos porque, já não estando envolvido com a natureza, perdeu a sua “identificação emocional inconsciente” com os fenômenos naturais. E estes, por sua vez, perderam aos poucos as suas implicações simbólicas. O trovão já não é a voz de um deus irado nem o raio o seu projétil vingador. Nenhum rio abriga mais um espírito, nenhuma árvore é o princípio de vida do homem, serpente alguma encarna a sabedoria e nenhuma caverna é habitada por demônios. pedras, plantas e animais já não tem vozes para falar ao homem, e ele não se dirige mais a eles na presunção de que possam entendê-lo.
Acabou-se o contato com a natureza, e com ele foi-se também a profunda energia emocional que esta conexão simbólica alimentava. Essa enorme perda é compensada pelos símbolos dos nossos sonhos. Eles nos revelam nossa natureza original com seus instintos e sua maneira peculiar de raciocínio. No entanto, expressam os seus conteúdos na própria linguagem da natureza que, para nós, é estranha e incompreensível.
Por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que frequentemente utilizamos termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens. Mas esse uso consciente que fazemos de símbolos é apenas um aspecto de um fato psicológico de grande importância: o homem também produz símbolos, inconsciente e espontaneamente, na forma de sonhos.
O mundo dos símbolos vai muito além do que foi abordado aqui neste texto, por isso deixo aqui algumas referências de livros para você possa iniciar seus estudos neste tema.
Referências:
JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 2.ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2016.
SILVEIRA, Nise da. Jung Vida e Obra. 1.ed. Rio de Janeiro - Paz & Terra, 2023.
JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.